Quem começa a pesquisar sobre regularização esbarra rapidamente em duas siglas: CNO e SERO. Elas parecem burocracia, e são — mas é a burocracia que define o maior item da conta.
CNO: o cadastro da obra
O Cadastro Nacional de Obras é o registro da construção junto à Receita Federal. Ele substituiu a antiga matrícula CEI. Toda obra de construção civil precisa estar cadastrada, e o número do CNO acompanha a obra até a emissão da certidão final.
Abrir o CNO é gratuito e o processo é eletrônico. Justamente por ser fácil, é onde muita gente comete o primeiro erro: cadastrar antes de entender o próprio caso.
SERO: a apuração
O Serviço Eletrônico para Aferição de Obras é onde a contribuição previdenciária da obra é apurada. É nesse sistema que se declara a área, o tipo de projeto, o padrão de acabamento, o período de execução e o que houver de documentação comprobatória.
O resultado da apuração é o valor devido. Com ele quitado ou parcelado, a Receita emite a CND da obra — documento que a prefeitura exige para o habite-se, e o cartório para a averbação.
Os erros que custam caro
- Declarar a área bruta em vez da área computável, incluindo garagem descoberta, beiral e área técnica que não deveriam entrar.
- Enquadrar em um projeto-padrão de custo mais alto que o da obra real.
- Declarar padrão de acabamento acima do que existe, o que infla a base de cálculo.
- Informar período de execução mais curto que o real, concentrando a obra em competências que ainda são exigíveis.
- Abrir o cadastro antes de reunir a prova da data de conclusão, perdendo a chance de discutir a decadência.
Nenhum desses erros é ilegal ou de má-fé — são consequência de preencher um formulário técnico sem saber o peso de cada campo. Mas o resultado aparece em reais, e corrigir depois é bem mais difícil do que acertar na primeira vez.
A ordem certa
- 1Levantar a área real e separar o que é computável do que não é.
- 2Reunir a prova da data de conclusão e o que houver de nota fiscal.
- 3Definir o enquadramento correto do projeto e do padrão.
- 4Só então abrir ou regularizar o CNO e apurar no SERO.
- 5Quitar ou parcelar, obter a CND e seguir para o habite-se e a averbação.
Os quatro primeiros passos acontecem fora dos sistemas da Receita. É neles que a conta é construída — e é por isso que a etapa de diagnóstico não é formalidade.